BLOGLIDO ENTREVISTA: SAMANTA HOLTZ

 

Para comemorar o aniversário do blog, pedi e gentilmente a escritora Samanta Holtz aceitou participar de uma entrevista que vai trazer um pouco à tona o cenário da nova literatura brasileira.

 

Bloglido: Você está num patamar que muitas escritoras desejam. Acredito eu que não tenha sido nada fácil e cheio de frustrações chegar até aqui. Com tanta influência externa de escritoras internacionais, o que te fez confiar que chegaria onde está?

SH: Olá, querida! Em primeiro lugar, parabéns pelo aniversário do blog e obrigada pelo convite à entrevista! Sobre a pergunta, acredito que o que me motivou, desde o começo, foi o amor por escrever. Nessa carreira, se você está em busca de status, dinheiro ou retornos rápidos, você a abandona logo. As conquistas acontecem devagarinho. Claro, o autor pode chegar a um nível de sucesso em que vende milhões de livros e é chamado para centenas de eventos, porém a trajetória até esse momento acontecer costuma ser árdua. Se você não amar muito o que faz, se não tiver verdadeira paixão por contar histórias, desistir é muito fácil. E esse amor por escrever sempre me motivou a continuar tentando, apesar de todas as dificuldades (e olha que são muitas! Hahaha)

 

Bloglido: Por muito tempo o mercado editorial foi dominado pelos homens, fazendo com que mulheres tivessem que usar codinomes para poder publicar suas obras. Hoje podemos ver que as coisas mudaram bastante, trazendo obras voltadas especificamente para esse público. Você ainda enfrenta dificuldades nesse aspecto ou não? O que acha que mudou?

SH: Era mesmo muito comum as mulheres usarem pseudônimos masculinos para publicar, em tempos mais antigos. E ainda vemos isso acontecer hoje, embora eu, pessoalmente, nunca tenha enfrentado qualquer dificuldade ou preconceito por ser uma autora mulher. Ou, se aconteceu, eu nem fiquei sabendo! (rs) Acredito que o sucesso de autoras contemporâneas como J. K. Rowling, Julia Quinn, Stephenie Meyer e, no Brasil, Carina Rissi, Paula Pimenta, Thalita Rebouças (entre muitas outras) ajudou a quebrar esse paradigma. Em meu caso, talvez por ter um público predominantemente feminino, nunca senti resistência dos leitores pelo fato dos meus livros serem escritos por uma mulher. Percebo que, hoje, o fato do autor ser brasileiro ainda pesa mais e gera mais preconceito do que o seu gênero!

 

Bloglido: A vendas de livros caíram 5,2% no Brasil segundo pesquisa da Fipe em maio deste ano, você acha que isso tem a ver com a crise que o pais vem passando ou realmente fazemos jus de que “brasileiro não gosta de ler”?

SH: Acredito que é mais em decorrência da crise do que dos hábitos de leitura, pois o mercado brasileiro sofreu baixas de modo geral, nos últimos anos. Foi triste testemunhar editoras e livrarias fechando suas portas, porém vimos empresários nas mais diversas áreas reduzindo o quadro de funcionários ou também encerrando as atividades. O que tem ajudado muito, em meu ponto de vista, são os e-books a preços acessíveis, muitos deles a menos de dois reais ou até mesmo oferecidos de graça. Não sei se esses dados se referem apenas a livros físicos ou se os virtuais se incluem nessa conta, porém acredito que, sem o acesso que hoje temos a e-books com valores tão atraentes, o brasileiro estaria lendo muito menos, mesmo. Não por falta de hábito, mas porque, em tempos difíceis, os gastos com itens considerados supérfluos são drasticamente reduzidos.

 

Bloglido: Como em muitos setores no país, você também sofre com a pirataria? Como encara esse tipo de situação?

SH: A pirataria é uma triste realidade no mercado literário, e eu me lembro da primeira vez que tive a infelicidade de encontrar meu primeiro livro, O Pássaro, disponível para download ilegal. É um sentimento que não sabemos explicar. A gente se sente roubada, sabe? Não se trata de dinheiro, visto que o retorno ao autor é tão pequeno – e, naquela época, meu contrato sequer previa o pagamento de direitos autorais. Então, eu não perdia nada de dinheiro. Trata-se, na verdade, do impacto que o escritor sofre no progresso da sua carreira e no histórico dentro das livrarias, especialmente no início da sua carreira. Porque funciona assim: você consegue, a muuuito custo, um bom contrato de edição. Isso, por si só, é uma vitória. Quando seu livro é publicado, o editor estará de olho nas vendas e na aceitação da sua história. Suponhamos que um autor lança seu primeiro livro, é pirateado e se torna um sucesso de downloads ilegais. Ele terá centenas ou milhares de leitores, mas, para os editores e para as livrarias, será considerado um fracasso de vendas. O editor vai querer reeditar esse livro? Não. Vai querer novas obras de um autor que quase não vendeu o outro título? Não. Outras editoras para as quais ele envie seu original vão consultar o histórico dele nas livrarias, e constatar o que? Fiasco. Resultado: esse autor não consegue lançar mais nada. E todos os leitores que baixaram o livro e amaram vão querer ler mais obras desse autor, mas não vão ter. Porque ele não consegue mais publicar. É, portanto, um ciclo que prejudica a todos, inclusive os próprios leitores.

A grande questão é que pirataria, para começo de conversa, é crime previsto em lei e passível de multa e mais 2 a 4 anos de prisão, conforme decretado pela lei 10.693 de 1° de julho 2003. Toda publicação literária está protegida pela Lei dos Direitos Autorais 9.610/98 do Código Penal brasileiro. Mesmo assim, quando encontro meu material pirateado, se tenho a oportunidade de entrar em contato com os responsáveis pela página ou site em que se encontra, eu o faço sempre com gentileza em primeiro lugar. Estão me prejudicando, sim, mas isso não me dá o direito de desrespeitá-los. E eles talvez nem façam ideia de quanto me prejudicam. Até hoje, consegui resolver todas as questões com muita tranquilidade, e é o que eu sugiro aos autores que façam. Dói? Muito. Mas lembrem-se de, antes de qualquer coisa, praticar a gentileza. Discussões e barracos têm impacto negativo muito mais grave em sua carreira do que um arquivo pirata.

 

Bloglido: Quem te acompanha sabe que está no forno um novo projeto! Pode nos dizer algo sobre ele?

SH: Sim, já tem mais um romance no forno!! O que posso dizer é que é uma história bem feminina, narrada por duas mulheres completamente diferentes entre si, cada uma vivendo seus dramas, romances e aprendizados. Está sendo delicioso e desafiador trabalhar duas personagens tão diferentes dentro de uma mesma história, e o resultado está ficando ótimo! A mensagem, acredito, servirá para todas nós, mulheres, cada uma dentro da sua realidade… mal posso esperar para todas poderem ler!

 

Bloglido: Para quem gosta de ler, escrever um livro é uma realização e tanto, mas sabemos que não é nada fácil conseguir. O que você pode deixar de mensagem para essas pessoas?

SH: Ah, são tantos os conselhos! Acredito que o primeiro deles é: faça uso consciente das facilidades e tecnologias que estão à nossa disposição. Quinze anos atrás, quando eu queria publicar meu livro, a única forma de tentar uma publicação era escrevendo cartas para as editoras ou enviando e-mails para aquelas que tinham / disponibilizavam. Não existia isso de Amazon, Wattpad, redes sociais, canais de sucesso no Youtube… ou seja, antes, você precisava publicar para, então, construir seu nome. Hoje, o caminho é inverso: o autor tem a chance de construir seu nome para, então, chamar a atenção das editoras e conseguir publicar. A grande questão é: mesmo sendo “fácil” colocar uma história sua à disposição do público, pense com muito carinho antes de fazer isso para não cair na armadilha do imediatismo. Pergunte-se: sua história está mesmo legal? Você colheu opiniões de leitores-beta (amostras do seu público) para saber se há pontos de melhoria? Será que precisaria passar por uma revisão ou, quem sabe, uma boa leitura crítica? Vale a pena eu colocar meu nome nesse projeto? São diversas questões a se pensar antes de tomar essa decisão, para que você tire realmente maior proveito possível dela! E, para quem estiver interessado em se aventurar nesse caminho da escrita, tenho um canal no Youtube com dicas específicas para novos autores: https://www.youtube.com/playlist?list=PLW3s09s_qiUNmi4s5_ZJm3-oVXc09UO29. Além, claro, de estar sempre aberta em minhas redes sociais para conversar e tirar dúvidas, na medida do possível. Espero que os ajude muito!

 

Gostaria de agradecer a sua participação e dizer mais uma vez o quanto gosto dos seus livros e da pessoa que você apresenta. Tão gentil e atenciosa é um diferencial nos dias de hoje. Quando lemos, buscamos fugir um pouco da realidade, pois sabemos que mesmo diante de tragédias, no final fica tudo bem. E sentir esse carinho de quem nos proporciona viver esses sonhos é muito acolhedor. Portanto, muito obrigada por ter aceitado o meu convite.

SH: Ah, querida, eu que agradeço pelo convite e peço desculpas por não ter conseguido enviar minhas respostas antes (rs)! Ainda bem que, pelo menos, deu tempo de participar das comemorações do blog, né? Obrigada por apoiar e incentivar nossa literatura aqui em seu lindo cantinho virtual! Sou profundamente grata a todos vocês, blogueiros, por nos ajudarem e, além disso, se tornarem nossos queridos amigos virtuais :) Muito sucesso sempre!

 

Que você tenha muito sucesso!

    Quem sou eu...

    Mary Ellen

    "O conhecimento é algo que ninguém pode tirar de você" É isso que eu busco nos livros. Viajar sem sair do lugar, sofrer, sorrir e sonhar. São coisas que você pode fazer ao mesmo tempo, e que você só encontra nos livros. Mãe, esposa, amiga e sonhadora!

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